quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Lembrança

Ontem pude me conter,
segurando gentilmente uma lembrança. 

Dessas que brincam de gota 
na palma da mão até evaporar. 

Dessas que se quer guardar com força
e no final de tudo é quase nada.

É apenas um pequeno rastro de luz na (nebulosa) memória.

É apenas uma estrela que mergulha cadente na emoção da gente. 

É um passarinho que canta uma canção antiga, 
distante, contrária ao ritmo da cidade. 

Se cada lembrança é uma parte de nós, 
e se forma um corpo de sombras que nos reflete, 
essa seria um dedo mindinho, ou a pupila do olho. 

Um farol que aponta distante, 
despindo delicadamente 
a escuridão da noite. 

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