Havia nas intermediações do centro, um tal Sr. Galdino, que era querido entre todos, morador de rua, vivia entre a igreja e a praça onde conversava com os pombos como se fossem gente. O fato era que o Senhor querido era doido, de pedra, varrido como se dizem. E passava os dias a conversar com as pessoas, cada dia em sotaque de um país diferente, em sua cabeça era exímio interprete da língua em questão, más era um língua inventada que compreendia-se em termos, mas no fim rendiam boas risadas.
Estava eu um dia indo por essa praça em direção ao forum e encontrei o Sr. Galdino. Nesse dia o espanhol estava como sua língua oficial. Ele me olhou bem nos olhos e conversamos sobre o tempo e a vida perigosa da cidade. Ele era afetuoso e por fim me deu um conselho do qual não esqueço:
"Pare de contar com El ovo em culo de la galitcha. Perque el ovo és el ovo e nada mas, ele basta a si mesmo e anda com teus ares de superioridá. Se passares a contar conele antes de tê-lo em tu mãos, ele ti dominará e tudo estará perdido. Eis o mistério de tudo. Ele será senhor sobre ti.
El ovo só virá a ti se estiveres pronto. Do contrário, nunca, jamais vira a você e ficará ai a contemplar el vazio esperando algo que talvez venha, talvez no. Ao contrário de só esperar anda, prepara-te.
E quando o tiveres alegresse de tê-lo finalmente alcançado. El ovo es o sentido de tudo. El ovo es o sentido de nada. El ovo parece complexo, mas ele é simples introspecto. El ovo és um estranho.
Se por algum motivo tiveste el ovo em tuas mãos e por algum motivo ele se foi, deixe-o ir. Deixe el ovo em paz. Porque não adiantará chamá-lo, gritar seu nombre el ovo não ouvirá. Se fingirá de surdo.
Se algum dia você o contradizer, ele desejará voltar a tua pátria amada salve, salve. Desejará ser novamente enchertado em "la galitcha"
Telvana Oliveira
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