sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Ao tempo que não volta mais

Ao tempo que não volta mais, 
deixo meus sonhos antigos, 
minha bicicleta de criança
e um cachorro como melhor amigo.

Te dedico as tardes de domingo, 
um pé de tomate na frente da casa, 
e as minhas vizinhas com quem dancei e sorri.

Ao tempo que não volta mais, 
deixo minha infância bordada de sol, 
e de entardeceres gotejando lua. 
Deixo os banhos de rio, o meu
vestido vermelho de uma alça só,
e os brincos de ouro que o papai me deu. 

Deixo meus dias de menina que era feliz sem motivo, 
desconfortável dentro de si querendo crescer. 
Deixo o medo de me perder. 

Ao tempo que não volta mais deixo meu livros 
que li e os que gostaria de ter lido. 
Deixo a juventude,das amizades, 
das paixões e dos encontros.
Deixo o carinho do abraço e
a descoberta de um mundo 
incrível e desconhecido.

Ao tempo que não volta mais deixo
as minhas escolhas feitas.
Os dias que existi pontuados de risos,
lágrimas, tentativas, ganhos e perdas.
Dias igualmente gloriosos, alegres ou tristes.

Ao tempo que não volta mais deixo
minhas mãos dadas ao trabalho
e meus olhos que não cessaram de enxergar.
Deixo a minha dificuldade de respirar. 

Ao tempo que não volta mais, deixo as noites 
entrelaçadas por estrelas e os dias cobertos por chuviscos de sol.
Deixo as folhas varrendo as calçadas e as 
lâmpadas acesas das estradas acenando o adeus.

Deixo a imensidão das auroras repleta de manhãs
e a felicidade abraçando gentilmente o tempo que virá.

Ao tempo que virá lanço o desejo incontrolável de ser livre
e um mistério de renascimento no universo das coisas.

Telvana Oliveira

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