Ao tempo que não volta mais,
deixo meus sonhos antigos,
minha bicicleta de criança
e um cachorro como melhor amigo.
Te dedico as tardes de domingo,
um pé de tomate na frente da casa,
e as minhas vizinhas com quem dancei e sorri.
Ao tempo que não volta mais,
deixo minha infância bordada de sol,
e de entardeceres gotejando lua.
Deixo os banhos de rio, o meu
vestido vermelho de uma alça só,
e os brincos de ouro que o papai me deu.
Deixo meus dias de menina que era feliz sem motivo,
desconfortável dentro de si querendo crescer.
Deixo o medo de me perder.
Ao tempo que não volta mais deixo meu livros
que li e os que gostaria de ter lido.
Deixo a juventude,das amizades,
das paixões e dos encontros.
Deixo o carinho do abraço e
a descoberta de um mundo
incrível e desconhecido.
Ao tempo que não volta mais deixo
as minhas escolhas feitas.
Os dias que existi pontuados de risos,
lágrimas, tentativas, ganhos e perdas.
Dias igualmente gloriosos, alegres ou tristes.
Ao tempo que não volta mais deixo
minhas mãos dadas ao trabalho
e meus olhos que não cessaram de enxergar.
Deixo a minha dificuldade de respirar.
Ao tempo que não volta mais, deixo as noites
entrelaçadas por estrelas e os dias cobertos por chuviscos de sol.
Deixo as folhas varrendo as calçadas e as
lâmpadas acesas das estradas acenando o adeus.
Deixo a imensidão das auroras repleta de manhãs
e a felicidade abraçando gentilmente o tempo que virá.
Ao tempo que virá lanço o desejo incontrolável de ser livre
e um mistério de renascimento no universo das coisas.
Telvana Oliveira
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