A poética dos ventos é um segredo que não se vê, apenas se sente.
Ele chega cedo ao amanhecer e penteia meus cabelos com a calma dos seus dedos de vento. Abrindo as janelas, varrendo a poeira dos dias das calçadas, descansando em rodopios no silêncio das horas.
É o mesmo vento da Maria, do Bento, do Nascimento.
O vento da Joaquina é velho e rabugento.
Esse vento dolorido que assopra o bumbum das crianças que apanham sem saber porquê. É também o que entra macio no bocejo menino, fazendo cocegas nos olhos até adormecer.
É o vento que embala os galhos numa eternidade que balança o tempo. Que leva e trás as palavras num movimento, lançando as asas de pássaros em voo pelo céu.
Ele não é algo ou alguém é só um sopro de Deus em nós.
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