segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A ligação



Depois de inúmeras tentativas de encontrar sua cara metade, depois das frustrações da procura por noites e dias a fio de relacionamentos líquidos e incompletos, ele finalmente toma a decisão de procurar a sua primeira namorada. Essa que ao fazer 11 anos logo se arruma e se apaixona, fazendo juras de amor eterno, que muitas vezes o próprio tempo espana. 

Decidiu procurá-la porque quando olhava para si, lá estava ela, linda, menina que já não via há 15 anos. Deu um jeito, ativou seus contatos, conseguiu seu telefone e num impulso de coragem ligou pra ela. 

Como estaria? Casada? Formada? Tinha ainda lampejos daquela menina? Não importa. Valia o risco!

E a sorte parecia estar ao seu lado quando ela finalmente atende o telefone. O começo de uma conversa desconcertada se inicia ali, o coração a boca, batia depravadamente. Se apresenta risonho e pergunta como ela está. A resposta veio meio a contragosto, sem nenhum estímulo e no decorrer da conversa a moça a pretexto de só falar em Deus vê-se logo religiosa, até ai tudo bem. O pior é quando começa a questioná-lo com ares de sargento sobre sua rotina e seus hábitos. Gosta de festas? Futebol? Vai a praia? bebe? Fuma? Era um tal de Deus não gosta disso, Deus não gosta daquilo. Ele meio ressabiado responde as perguntas lançadas ao rosto.A moça percebendo os abismos dá logo um jeito de desligar. 

Ele fica ali atônito, até lembrar o motivo do rompimento que se deu justamente porque havia beijado uma das amigas dela. Envergonhado, decide nunca mais olhar para trás, ficando sem saber se era realmente de fato assim. Já imaginava ela toda em trajes cobertos, cheia de regras lhe dando broncas; ou também poderia se tratar de uma peça que ela pregava pelos deslizes do namoro. Pois a moça havia jurado vingança. 

Melhor ficar sem saber. Melhor enfrentar os tombos do presente que tentar remendar o passado. Todo esse confronto com os santos pudores lhe despertou uma vontade de cair na gandaia e foi o que fez na primeira oportunidade. 

Telvana Oliveira

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